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Agrogarante realizou Webinar sobre “Emprendedorismo e Sucessão Geracional”

2021-09-30
Agrogarante realizou Webinar sobre “Emprendedorismo e Sucessão Geracional”

No passado dia 17 de setembro de 2021, a Agrogarante realizou o Webinar "Empreendedorismo e Sucessão Empresarial". António Gaspar, CEO da Agrogarante iniciou a Sessão na qual marcou também presença Beatriz Freitas, Presidente Executiva do Banco Português de Fomento.

No debate que se seguiu participaram Vítor Lucas, Administrador da Lugrade, Tomás Roquette, Administrador da Quinta do Crasto, José Diogo Albuquerque, CEO da Agroportal e Firmino Cordeiro, Diretor-Geral da AJAP – Associação de Jovens Agricultores de Portugal. O painel de oradores, contou com a dinâmica moderação do Professor Luís Mira Silva, que leciona no Instituto Superior de Agronomia e é também sócio da Consulai.

O Webinar centrou-se em questões essenciais para o setor, nomeadamente questões relacionadas com sucessão empresarial e o empreendedorismo.

Conscientes de que o tecido económico empresarial em Portugal, fortemente alicerçado em PME, é maioritariamente representado por empresas assentes numa base acionista e/ou societária de cariz familiar e que revela o espírito empreendedor existente no país, mais premente se torna a necessidade de debater a temática da Sucessão Geracional.

Neste webinar foi possível perceber os grandes desafios e oportunidades surgidos ao longo do processo de Sucessão Geracional, as janelas de oportunidade para empreender e inovar por ele motivadas, e as melhores práticas para que este processo seja bem-sucedido e possibilite acrescentar valor.

No decorrer do mesmo foram abordados aspetos estratégicos a ter em conta numa sucessão bem planeada, nomeadamente: identificação de necessidades e premissas estratégicas, obstáculos, acompanhamento, financiamento e opções de sucessão.

António Gaspar, CEO da Agrogarante, começou por referir que a Agricultura tem tido uma dinâmica bastante positiva, muito por força do empreendedorismo do setor, mas a questão da Sucessão Geracional não pode, nem deve ser descurada. António Gaspar realçou  a missão fundamental da Agrogarante no apoio às empresas e na criação de instrumentos que permitam o seu desenvolvimento e inovação, tão necessários neste setor cujo crescimento é inegável mas que é importante manter.

Beatriz Freitas, CEO do Banco Português de Fomento (BPF), congratulou a Agrogarante pelas iniciativas e debates que tem levado a cabo, com temas de relevo para o setor  e não só, pois  muitos dos temas são transversais e de grande importância para a economia. Considerou que o tema em debate é essencial, permitindo alertar as  as empresas e empresários para a necessidade de  prepararem para enfrentar a Sucessão Geracional de forma robusta e planeada, por forma a terem sucesso. Realçou ainda as empresas familiares, e o seu papel fundamental na economia.

Beatriz Freitas valorizou também o papel fundamental do setor primário durante os últimos anos, realçando a sua capacidade de resiliência, a sua capacidade em se transformar e reinventar, sempre à frente dos avanços tecnológicos. Nesse sentido, o BPF continuará empenhado em participar no desenvolvimento e crescimento sustentado do setor, em articulação com a Agrogarante,  prestando apoio à capitalização de empresas e empresários, com linhas de crédito com garantia mútua, nomeadamente a Linha de Apoio ao Desenvolvimento de Negócio, com dotação específica para a Sucessão Empresarial e Incremento de Escala, bem como outros apoios e instrumentos de capitalização das empresas que estão enquadrados no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).

Através de uma conversa informal, os oradores com que a Agrogarante teve o privilégio de contar, partilharam as suas visões sobre a temática em debate, tendo abordado vários temas, dos quais se destacam os seguintes.

Vítor Lucas, partilhou a história de Sucessão Geracional da Lugrade, empresa constituída em 1987, cuja gestão está já na segunda geração. Entre os desafios que se foram colocando nesse percurso, em particular na Sucessão Geracional, surgiram questões críticas como: Será que há trabalho para todos os familiares? Quais os postos de trabalho que devem ocupar? Como deveria ser feita a expansão? E se corresse mal o que poderia ser feito? Todavia, dado o cariz empreendedor da família, a empresa foi crescendo, com o aumento de Instalações, passando de uma empresa meramente distribuidora, para uma empresa que trata também o produto. Tendo começado com 10 trabalhadores, a empresa conta, atualmente, com 150 colaboradores. Em jeito de conselho para empresas familiares, que devem trabalhar da melhor forma o presente e perspetivar o futuro, Vítor Lucas sugeriu que, à imagem do que a Lugrade fez, elaborassem um Protocolo, que funciona com um manual e procura dar resposta a questões que possam advir do processo de Sucessão Geracional.

Tomás Roquette, Administrador da Quinta do Crasto, também partilhou a interessante história da sua empresa. Com mais de 100 anos de vida, a Quinta do Crasto atravessou já diversas gerações. Uma empresa marcadamente empreendedora, que começou a visitar mercados externos tendo o vinho do Porto como porta de entrada, mas que, pouco a pouco, aproveitou a oportunidade para dar a conhecer o vinho de mesa, que, dada a sua reconhecida qualidade, foi também bem recebido. Tomás Roquette deu o seu testemunho pessoal sobre o seu início de atividade na Quinta do Crasto desmistificando os receios que outros empreendedores e jovens possam ter quando abraçam um processo de Sucessão Geracional. Nesse momento, quando o seu pai o convidou a abraçar o projeto, confidenciou que pouco ou nada sabia sobre produção de vinhos, tendo o seu pai referido: "há muitas coisas que não sabia e hoje sei, pelo que se aceitares o desafio e vieres a gostar do que fazes vais aprender”. E assim foi. Tomás Roquette abraçou o desafio e não mais o largou. Para o Administrador da Quinta do Crasto, aliar a experiência e conhecimento da geração anterior serve de complemento para a gestão. Quando questionado sobre que conselho poderia dar a empresas familiares, deu nota da importância de recorrer a alguém profissional, que possa prestar apoio, pois certamente surgirão muitas questões difíceis que já se esperam e tantas outras que nem se imagina. Para Tomás Roquette o tema da Sucessão Geracional é delicado, e deve ser abordado atempadamente, por forma a evitar problemas futuros.

José Diogo Albuquerque, CEO do Agroportal, Secretário de Estado da Agricultura entre 2011 e 2015, congratulou-se com o facto de ver este tema debatido, dada a importância que confere ao mesmo, tendo mesmo referido que este teria sido provavelmente o primeiro evento em que via esta temática ser colocada em debate. Relacionado com a Sucessão Geracional coloca-se o tema da aproximação dos jovens à Agricultura. José Diogo Albuquerque, ao ser questionado como se poderá fazer melhor, indicou que Portugal tem apenas 2% dos jovens abaixo dos 40 anos dedicados à Agricultura, existindo um problema de envelhecimento da Agricultura. A questão passa claramente pela Sucessão Geracional, dado que os esforços da União Europeia se centram mais nas novas instalações de jovens Agricultores do que na Sucessão Geracional, que merece mais atenção. As políticas deveriam ser reorientadas não só para as novas instalações, mas também para o apoio à Sucessão Geracional. Para além disso, deveria existir uma rede de apoio à Sucessão Geracional estruturada, para partilha de conhecimento e soluções junto de quem passa por esse processo. Tal poderia ser feito, eventualmente, recorrendo a uma bolsa de entidades públicas preparadas para o efeito.

Firmino Cordeiro, Diretor-Geral da AJAP constatou que os jovens têm oportunidades, mas também dificuldades, sendo necessário reconhecê-las e colocar à disposição meios e instrumentos para as ultrapassar. Para o Diretor-Geral da AJAP a cultura empresarial também deve ser reforçada em e mais implementada em Portugal, considerando ainda que a riqueza está nas empresas e na sua articulação, mas para tal é necessário que existam condições para se ser empresário. No apoio à Sucessão Geracional, Firmino Cordeiro, deu nota de que é possível criar uma estratégia de apoio, através de parcerias, sugerindo ainda a criação de incubadoras de base real e digital em territórios estratégicos. Um problema levantado ao longo do debate foi a questão do emparcelamento, tão necessário para evitar o espartilhamento de pequenas explorações. Firmino Cordeiro realçou a necessidade de encontrar formas de emparcelamento sem custos tão elevados.

Entre o Empreendedorismo e a Sucessão Geracional, reforçou-se a importância da sustentabilidade, mas sempre tendo em conta que, antes de a mesma poder ser pensada, a agricultura tem que ser rentável. Essa é a visão de fundo que deve centrar atenções, para que se possa promover cada vez mais o setor, que tão importante é para o País.

José Fernando Figueiredo, Presidente do Conselho de Administração da Agrogarante, encerrou a sessão, destacando a vontade e o desejo da Agrogarante de continuar a contribuir com os seus ciclos de fóruns para a partilha de conhecimento, esperando que, num futuro próximo, os mesmos já se possam realizar de forma presencial. Para o Presidente da Agrogarante, a Sucessão Geracional é crítica, na ótica da preservação de valor, sendo que se alguém numa empresa familiar tem condições de preservar e fazer evoluir esse valor, então deverá ter condições para tal e as Instituições Financeiras devem trabalhar no sentido de criar essas condições, nomeadamente aportando meios e linhas de crédito. José Fernando Figueiredo mostrou-se ainda visivelmente satisfeito com a qualidade e pertinência do debate protagonizado pelos palestrantes, agradecendo a participação de todos, bem como a quem assistiu ao Webinar, fazendo novamente votos para que, num futuro a breve trecho estas iniciativas possam ser feitas de forma presencial.

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